sábado, 14 de julho de 2012



Quer tirar minha calça de veludo?
Quero tuas mãos em minhas pernas.
Teus dedos de pintor, tão hábeis com pincéis,
desenhando em minha pele.
Há tanto tempo que minha pele não é desenhada...
Tem sido escudo pros golpes do cotidiano, fingindo que aguenta tudo,
no silêncio da condição.
Começo a querer isto com um certo afinco.

Não é o sexo.
O sexo pelo sexo não faz mais sentido.
Porém o sexo como um caminho pra me redescobrir.
Meu corpo passou por uma gestação, 12 quilos a mais, um parto, amamentação.. alguma coisa deve ter mudado.
ou não.
não sei.
Tenho a impressão de que mudou,
não digo fisicamente, esta mudança seria inevitável,
mas simbólica e até sensorialmente.
Quero fazer uma antropologia de mim mesma,
uma observação participante,
mas num campo relativamente seguro.
Não rola ser com o pai de minha filha - levei um tempo pra desfazer esta ideia.
Não rola ser com uma pessoa qualquer.
Com um bom amigo já seria mais adequado.
Com alguém que eu amasse, o ideal..
Porém não vou esperar o amor chegar pra eu fazer isto.
seria o ideal mas ele pode nem acontecer
ou posso esperar e outras coisas acontecerem e perder ESTE momento.
vc e eu já perdermos um momento
não gosto disto mas, decidimos assim.


terça-feira, 1 de maio de 2012

De clichê em clichê a vida se preenche,
o vazio se camufla,
o banal ganha holofotes,
o covarde se traveste de inocente
e a solidão é companheira.

Dona Solidão vai muito bem - faz companhia
pra um montão de gente.
Vida moderna ou medo coletivo?
uma questão de gênero ou equívoco feminista?

Vergonha na cara é como bunda - cada um tem a sua.
A vida cotidiana, fútil e tributável - salve, Alvaro de Campos!
venceu.

Não há amargura em constatar tudo isto
mas alguma coisa está muito errada:
meus sonhos ou minha caminhada?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

sem rumo, nem rota

Estou paralizada...
Não navego em nenhuma direção.
Não sei se é a falta de saber qual direção seguir ou o desapontamento de navegar solitariamente.
Estou assustada e acuada.
Nunca funcionei bem sobre pressão.
Olhar tantas questões do passado e conseguir respostas pra um fracasso num período que não deveria ser de olhar para trás e, sim para frente, está consumindo minha energia.
Não sei o que quero. Se eu quiser o que já me feriu? Masoquismo não é comigo mas, não posso deixar de pensar em com seria se tudo fosse diferente... Ok, plantar um pé de “se” não dá em nada, eu sei... mas tá difícil...
Qual a tampa da garrafa? Qual é o problema que precisa ser resolvido para que eu possa matar minha sede?
Ficar parada como filho das palhas? Atitude passiva? Não sei... não combina comigo mas não estou com forças pra muita coisa.
Quero ficar na cama, assistir seriados, fazer crochê, comer porcaria...
Não poderá ser assim pra sempre.
Mas realmente não sei qual é o problema a ser resolvido.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A vida adulta é muito solitária.

domingo, 20 de novembro de 2011

Um dia me disseram: "os homens amam os filhos da mulher com quem ele está". Duramente, aprendi que é verdade... só não imaginei que fosse acontecer tão rápido.
Minha filha tem 15 meses. Hoje eu soube que o pai dela - que não a vê há 3meses, está morando com uma mulher que tem dois filhos. Ele tem duas e, com certeza, não cuida de uma.
Difícil não me sentir um lixo diante desta situação. Lixo, por ter acreditado nele várias vezes, por ter escolhido tão mal, por ter me permitido algo que, futuramente, minha pequena flor do cerrado poderá lamentar. Pai ausente nunca é uma situação indiferente para a criança.
Por outro lado, não consigo acreditar que este "casamento" deva ser levado a sério. Sei que quando acontecer de alguém vir morar comigo, haverá sentimento de verdade. Da minha parte, eu sempre posso garantir a honestidade... já da outra...
Por pensamentos como este, é que ficarei como estou, já que desconfio de qualquer um que se mexa, tenha duas pernas e não seja a bebezinha do quarto ao lado.
Bom, gostaria de encontrar uma palavra, ou duas, pra traduzir este momento. Não é raiva ou ódio. Tão pouco amor. Ainda era verão quando deixei de amar o pai da minha filha.
O tempo (sempre ele!) deverá trazer a palavra... assim como levar este sentimento para o vento.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Estou cansada...
"cansada do lirismo comedido"
não.
cansada da mesmice descarada.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

passos passados e passos futuros

O tempo... sempre ele...
ele tra novos deveres, anuncia a obrigação e cá estou, sem perspectiva do que serão as próximas semanas e os compromissos não dão trégua.
às vezes acho que estou numa bolha, alheia ao desespero que seria esperado para o momento.
Outras vezes, penso que se estou calma é porque estou otimista e confiante de que o melhor acontecerá.
Em todo o caso, há uma pitada de loucura aí.
A maior mudança anunciada é a saída do emprego. Coisa prática e perfeitamente adequada - o que é irônico ou insano. Se considerar o mundo na sua forma toma-lá-dá-cá, está é a maior mudança.
Se devo considerar como maior mudança aquela que afetará a vida toda (mais uma deste tipo chegando) então esta é o anúncio de que minha mameta quer a obrigação.
Me vejo cumprindo tudo... o trampo chegando, um ano se passando, eu recolhendo e minha flor do cerrado passando os 21 dias comigo, me vejo no preceito, o primeiro ano cheio de axé e novidade e, nos demais, um novo rumo na vida.
Otimismo ou loucura. Ainda não sei.
Sei que me apego à mameta quando perco o chão, que agradeço a ela quando percebo que fui agraciada ou protegida e me desculpo quando penso que não dei conta de algo que poderia ter dado. Sei que ela cuida muito de mim e me deu de presente a maior surpresa que eu poderia ganhar, minha filha, minha flor do cerrado... o presente é meu, só meu... o pai não quis figurar como tal então, tenho o presente só pra mim. Esta é uma das benção que ainda não agradeço devidamente - o de tê-la só para mim. Um dia o farei.
Por outro lado, perdi a fé nos homens. Talvez nas pessoas em geral. Por um lado, homens mentem a troco de conseguir uma noite para o seu curriculo, por outro, há mulheres tão inseguras que não conseguem olhar o mundo e outras pessoas sem suas lentes repletas de medo. Pessoas começam a me dar medo. Será preciso me afastar delas (ainda que por um tempo) para que eu ganhe jogo de cintura para manter-me longe de situações tão dramáticas?
Enquanto não tenho resposta, quero estar apenas com minha flor e junto a meu povo, no conforto e segurança da minha casa porque, eu realmente não entendo o que acontece lá fora.